O HELLRIPPER fará sua primeira apresentação em Belo Horizonte no dia 17 de janeiro de 2027. O projeto escocês chega à capital mineira como parte da turnê Latin America 2027, realizada pela Caveira Velha em parceria com a Solid Music.
Liderado por James McBain, o Hellripper consolidou seu nome na cena extrema ao combinar velocidade, riffs cortantes e referências ao metal underground dos anos 1980. A excursão promove Coronach, álbum lançado em 2026 pela Century Media Records, que incorpora elementos do folclore, da história e da mitologia escocesa.
A passagem pelo Brasil terá quatro datas e integra uma rota de 14 cidades por oito países. Em Belo Horizonte, a banda brasileira FLAGELADÖR será a convidada especial, enquanto VULTÖR e KRUSHHAMMER completam o elenco da noite.
O metal extremo sempre se orgulhou de ter nascido longe do conforto: nos porões, nas fitas trocadas pelo correio e que você andava no bolso caso aparecesse uma oportunidade de gravar algo que você não tem, nos palcos improvisados e nas redes de amizade. Mas há uma contradição cada vez mais difícil de ignorar. Para ver parte dos grandes nomes internacionais hoje, o fã brasileiro precisa atravessar uma barreira que não é sonora: é financeira, geográfica e, muitas vezes, programática.
O Bangers Open Air 2027 é um exemplo disso, marcado para 24 e 25 de abril no Memorial da América Latina, em São Paulo, é um retrato forte dessa tensão. Não é uma discussão contra o festival, sua produção ou as bandas do cartaz. Um evento de grande porte exige estrutura, equipe, cachês, transporte, segurança e riscos reais. A questão é outra: quando o acesso a esse circuito passa a consumir um salário inteiro, quem continua podendo estar ali?
O próprio Bruce Dickinson do Iron Maiden já disse sobre os preços abusivos dos ingressos:
"O problema é que os custos não param de subir. Mas isso não é desculpa para cobrar preços absurdos pelos ingressos. Sempre tentamos manter nossos ingressos mais baratos que o padrão porque, sinceramente, não queremos um monte de gente muito rica em frente ao palco. Queremos os fãs de verdade ali, e eles nem sempre têm muito dinheiro."
O público é a razão de existir de qualquer festival. Foto: Diego Padilha / MHermes Arts, via Bangers Open Air.
Um ingresso que equivale a um salário mínimo
Na página oficial de vendas, o Bangers Open Air lista o Bangers Pass, válido para os dois dias em pista comum, por R$ 1.408,00, mais R$ 253,44 de taxa de serviço. Total: R$ 1.661,44. O salário mínimo nacional em vigor em 2026 é de R$ 1.621,00. Ou seja: só o pass, já com a taxa, representa 102,5% de um salário mínimo.
A comparação fica ainda mais concreta na entrada de um dia. A meia-entrada custa R$ 738,00 mais R$ 132,84 de taxa, chegando a R$ 870,84: 53,7% do salário mínimo. A entrada social, aberta a qualquer pessoa mediante doação de 1 kg de alimento, sai por R$ 929,84 com taxa, ou 57,4% do mínimo. A inteira de um dia atinge R$ 1.741,68. E isso antes de transporte, hospedagem, alimentação, bebida e qualquer item de merchandising.
Modalidade Bangers 2027
Valor com taxa
Equivalência ao mínimo de 2026
Meia-entrada, 1 dia
R$ 870,84
53,7%
Social, 1 dia
R$ 929,84
57,4%
Pass, 2 dias, pista comum
R$ 1.661,44
102,5%
Full Experience Pass, 2 dias
R$ 4.932,40
304,3%
Valores da página oficial de ingressos consultada em 6/11/2026. O cálculo usa o salário mínimo de R$ 1.621,00 fixado pelo Decreto nº 12.797/2025. Não inclui deslocamento, estadia, alimentação ou consumo no evento.
Para um estudante, um jovem em primeiro emprego, alguém em trabalho informal ou uma família que já administra um orçamento apertado, não se trata de “priorizar melhor”. É uma escolha material. Muitas vezes, a pessoa que ajudaria a renovar o público do metal é justamente quem fica do lado de fora. A meia-entrada atenua o problema para quem se enquadra nela, mas não resolve a distância entre preço e renda, e também não cobre os custos de chegar a São Paulo.
Não é um caso isolado
O Bangers não surgiu no vácuo. O encarecimento vem aparecendo em diversas grandes produções internacionais principalmente após a pandemia do COVID-19. Em 2025, o Monsters of Rock no Allianz Parque cobrou R$ 1.180 pela inteira de pista premium e R$ 680 pela inteira de pista. No Knotfest Brasil 2024, a pista inteira foi anunciada a R$ 790, enquanto o pacote VIP mais caro chegava a R$ 4.990. Já o Summer Breeze Brasil 2024, antecessor do Bangers em São Paulo, chegou ao terceiro lote com pass de três dias a R$ 3.300 na inteira e R$ 1.650 na meia.
São eventos de formatos, anos e estruturas diferentes, portanto não cabe uma comparação simplista entre eles. Mas o padrão é visível: a experiência premium cresce, os setores VIP se multiplicam e a pista comum deixa de ser automaticamente popular. O problema não é existir uma opção cara para quem quer ou pode pagar. O problema começa quando o ingresso básico já expulsa uma parcela enorme da comunidade.
Festival lotado: a expansão do metal ao vivo precisa caminhar com acesso real. Foto: Wellington Penilha / MHermes Arts, via Bangers Open Air.
Quando uma banda vira destino único
Outro ponto delicado é a concentração de atrações. Grandes festivais trabalham, no mundo todo, com janelas de exclusividade territorial e com apresentações anunciadas como únicas no país. Os contratos raramente são públicos, então não é responsável atribuir uma cláusula específica a uma banda ou festival sem documento. O efeito prático, porém, é conhecido pelo público: uma atração internacional pode tocar apenas em uma capital, em uma data, dentro de um evento gigantesco.
Para quem quer ver uma ou duas bandas, a alternativa é comprar um pacote que inclui mais de oito atrações, adaptar a agenda à data do festival e viajar para onde o evento acontece. Não há nada de errado em gostar de um cartaz amplo, muito pelo contrário. A distorção aparece quando o fã não tem escolha de formato. Uma rota de shows com datas próprias, casas menores e cidades diferentes permitiria que a pessoa escolhesse a banda, o valor e a distância que consegue percorrer. Quem não se lembra do Summer Bleeze 2024 que anunciou no mesmo dia Mercyfull Fate e Massacration? O cast foi alterado depois da polêmica.
Isso também empobrece a circulação. Uma única apresentação pode ser celebrada como evento histórico, mas não substitui uma turnê. Quando a agenda internacional se concentra em festivais de poucas cidades, o Brasil inteiro vira mercado consumidor de um só ponto no mapa.
O mapa do metal não termina em São Paulo
São Paulo é uma praça essencial e tem infraestrutura difícil de reproduzir. Ainda assim, o eixo Sudeste-Sul concentra grande parte dos grandes shows internacionais. Para fãs de Fortaleza, Recife, Belém, Manaus, Salvador, Goiânia, Campo Grande e tantas outras cidades, o ingresso é só a primeira parcela da conta. Passagem, hospedagem, alimentação e dias fora do trabalho ou da escola podem custar mais que a entrada.
Esse desenho ignora cenas históricas e ativas. Fortaleza mantém uma rede de lojas, bares, distros e produtores de metal extremo. Recife sustenta décadas de produção pesada própria. Belém carrega uma cultura underground que se articula entre a capital e o interior. Não são cidades à espera de “descoberta” pelo circuito. São territórios que já produzem bandas, público e eventos, mas recebem menos oportunidades quando se trata de grandes turnês.
O subterrâneo continua de pé
É aqui que a história ganha outra direção. Enquanto o topo do mercado se afasta da renda e da noção mínima de boa parte do público, os festivais independentes continuam provando que qualidade não depende de transformar o metal em artigo de luxo. Eles enfrentam limitações enormes, trabalham com margens apertadas lucro zero e sobrevivem porque bandas, produtores, casas, distros e público assumem coletivamente a responsabilidade de manter a cena viva.
Brutal Devastation, Belo Horizonte: a edição de 2025 reuniu 16 bandas em dois dias; o combo começou em R$ 100 e chegou a R$ 120, com dia avulso entre R$ 60 e R$ 70.
Satânic Hellbangers, Belo Horizonte: com dez bandas de vários estados na edição de 2025, teve entrada fixada em R$ 50 na portaria.
Metal Devastation Fest, Vila Velha: a 21ª edição, anunciada para 2026, reúne Taurus, Hexen Sabbat e bandas de ES, MG e RJ; os valores divulgados vão de R$ 80 a R$ 120.
Metal Hordes Fest, Juiz de Fora: chegou à 23ª edição em 2025 com ingresso antecipado de R$ 40 e foco no metal underground mineiro.
Alcoholic Vomit Fest, Fortaleza: em sua 13ª edição, reuniu Bode Preto, Open The Coffin, Morbid Whisper, Facetumor e Sheol por R$ 30 antecipado e R$ 40 na porta.
Green Hell, Recife: colocou bandas de Manaus e da cena Hellcife no mesmo cartaz por R$ 15 no primeiro lote. O Hellcife Extreme Festival, por sua vez, reuniu mais de 20 nomes de diferentes estados em três dias.
Subculturas de Belém: organizado pela Warpath, reuniu Disgrace Suicide, Rancor, Infesto e Warpath por R$ 15 antecipado e R$ 20 na porta, com foco explícito em bandas autorais locais.
Esses valores não servem para romantizar precariedade. Produzir cultura independente custa, e bandas nacionais merecem cachês, condições técnicas e respeito. A lição é diferente: preço acessível e curadoria forte podem coexistir. Um festival de R$ 15, R$ 30, R$ 40 ou R$ 100 não é “menor” porque não vende uma experiência VIP; muitas vezes, ele é maior em vínculo, descoberta e circulação local.
Não se trata de escolher um lado
Não é preciso opor o fã que sonha em ver King Diamond, Emperor, Amon Amarth, Edguy ou Children of Bodom ao fã que frequenta um festival de bairro. O mesmo headbanger pode amar os dois mundos, que na verdade nem deveria ser dois mundos. O metal perde força quando seu futuro depende apenas de quem já tem renda, mora perto dos centros ou consegue transformar uma apresentação em viagem cara.
Há saídas possíveis: políticas de preços realmente populares e transparentes; cotas de ingressos a valores baixos; mais rotas fora do eixo; incentivo a datas solo e parcerias com produtores regionais; programação que dê espaço e pagamento digno às bandas nacionais; e atenção às taxas que elevam silenciosamente o preço final. Nenhuma medida elimina os custos de trazer artistas internacionais. Todas ajudam a distribuir melhor o direito de viver essa experiência.
O metal extremo nasceu como expressão de excesso, ruptura e inconformismo. Seria uma derrota se sua porta de entrada se tornasse a capacidade de pagar. Enquanto isso, o underground segue fazendo o trabalho mais importante: construindo cenas onde a música ainda cabe no bolso, na cidade e na vida de quem a ama.
Imagens secundárias reproduzidas a partir de material de divulgação disponível no site oficial do Bangers Open Air, com os créditos indicados nas legendas.
O SHITAI sobe ao palco do La Iglesia, em São Paulo, neste sábado, 7 de novembro, para integrar o Matsu Rocks - Yorugami. A noite reúne ainda HellLight e Karranka, em um encontro que atravessa o Death Metal, o Doom Metal e o Grindcore.
Com portas abertas às 18h e início dos shows previsto para 19h, o evento é realizado pela Matsu Produções e acontece no Galpão 6 do La Iglesia, em Pinheiros. Os ingressos estão disponíveis pela Shotgun.
Formado em São Paulo no fim de 2024, o SHITAI apresenta uma sonoridade que combina Death/Grind com influências de Thrash e Grindcore. O quarteto é formado por Vicente Moreno (voz e guitarra), Kleber Hora (guitarra), Tiago Grilli (baixo) e Oga Jr. (bateria).
Além de revisitar a brutalidade de seu EP autointitulado, lançado de forma independente em 2025, a banda prepara material de sua nova fase: o primeiro full-length, com 11 faixas inéditas. O disco sucede o EP “SHITAI” e tem como primeiro cartão de visitas o single “Escaravelho”, já disponível nas plataformas digitais.
SERVIÇO
Evento: Matsu Rocks - Yorugami
Data: 7 de novembro de 2026, sábado
Horário: 18h às 23h. Shows a partir das 19h
Local: La Iglesia, Rua João Moura, 515, Galpão 6, Pinheiros, São Paulo/SP
O Bangers Open Air revelou o line-up completo de sua edição 2027. O festival volta ao Memorial da América Latina, em São Paulo, nos dias 24 e 25 de abril, reunindo mais de 40 atrações nacionais e internacionais em dois dias dedicados ao metal.
Entre os grandes nomes anunciados estão Edguy, COBHC, HammerFall, King Diamond, Amon Amarth e Emperor. A programação ainda inclui Lacuna Coil, K.K. Priest, Quiet Riot, Floor Jansen, Pain of Salvation, Imminence, Kanonenfieber, Soilwork, Eluveitie, Metal Church, Blaze Bayley, Soen, John Bush, The Ocean, Twilight Force, The Other, Edu Falaschi, Enforcer e Angelus Apatrida.
Metal brasileiro em destaque
O cartaz também abre espaço para uma seleção de artistas brasileiros: Claustrofobia, Tuatha de Danann, Mindflow, Rhegia, Phornax, Paradise in Flames, Madzilla, Taurus, Cultura Tres, Rygel, Loss, Ynys Wydryn e Gargant estão entre os nomes confirmados. A lista divulgada pela organização inclui ainda BIB, Rivetskull, Allen/Key e TMT.
O anúncio marca uma nova etapa da divulgação do festival, que já havia confirmado parte do elenco ao longo dos últimos meses. Agora, a escalação final consolida um recorte amplo do heavy metal, power metal, death metal melódico, folk, prog, black metal e vertentes contemporâneas.
Serviço
Bangers Open Air 2027
Data: 24 e 25 de abril de 2027
Local: Memorial da América Latina, Av. Mário de Andrade, 664, Barra Funda, São Paulo/SP
O Enslaved decidiu abandonar a zona de conforto para construir Mið, seu 17º álbum de estúdio. Em entrevista à Blabbermouth, o guitarrista e principal compositor Ivar Bjørnson revelou que a banda entrou em estúdio sem as músicas prontas, apostando no processo coletivo para desenvolver o material diretamente durante as sessões.
Criação sem rede de proteção
A ideia surgiu depois que Bjørnson descartou demos que não o satisfaziam. Em vez de lapidar composições já encaminhadas, ele propôs reservar o estúdio e criar a partir dali. A iniciativa poderia soar temerária para um grupo com mais de três décadas de estrada, mas foi recebida com confiança pelos demais integrantes.
O resultado foram oito faixas moldadas nesse ambiente de experimentação. Entre elas estão Solar Will, Mountain e Spirit Helper. Para Ivar, o conceito de Mið passa pela experiência subjetiva e pela necessidade humana de criar histórias para compreender o mundo ao redor. Essa busca também guiou a sonoridade do disco, pensada menos como uma sequência de riffs e mais como uma resposta à paisagem, à memória e à imaginação.
Uma colaboração especial
Solar Will ajudou a confirmar que o método estava funcionando. Já Spirit Helper traz uma colaboração especial com Kevin Kicking Woman, ancião Blackfoot. Os vocais registrados em uma cerimônia em Nova York, em outubro de 2025, foram captados no celular de Bjørnson e preservados sem cortes ou correções de afinação, recebendo apenas ajustes de frequência na mixagem.
Ouça Mið no Spotify:
Três décadas sem repetir a fórmula
A faixa também reforça uma inquietação que acompanha o Enslaved desde sua fundação, em 1991. A banda começou ligada ao universo do viking metal e, especialmente a partir de Below The Lights (2003), ampliou sua linguagem progressiva sem perder o vínculo com suas raízes. Para Bjørnson, o novo álbum não deve ser entendido como uma fórmula para os próximos trabalhos, mas como prova de que ainda há caminhos a explorar.
O guitarrista também destacou a importância de Ice Dale na identidade do grupo. Segundo ele, os solos do músico combinam domínio técnico e sensibilidade, com cada nota cumprindo uma função dentro das canções, em vez de servir apenas como demonstração de velocidade.
Com Mið, o Enslaved reafirma que longevidade não precisa significar repetição. A decisão de se colocar em risco no estúdio transforma o 17º capítulo da discografia norueguesa em mais uma demonstração de curiosidade criativa.